CON-SENSO
Como alcançar os consensos, se o que se vê está sempre associado às experiências de cada parte, tão enraigadas que resistem a toda e qualquer novidade?
As relações afetivas de maneira ampla, na superficialidade e de forma até ingênua, atuam em busca do comum, daquilo que é similar em ambos, no que se conceberia como amor quando alcançado. Não cessam, no entanto, de deparar-se com o estranhamento da (in)diferença, que em algum momento, há de se impor exigindo reinvenções, novos olhares.
Se o outro completa, no entanto, há que ser naquilo que diferencia. A completude atuando na falta e, vez em quando, nas semelhanças. O amor nada deveria exigir do ser, exceto sua verdade a muito custo trabalhada.
Mas quem saberia o suficiente de si para afirmar que sabe exatamente o que busca ao se relacionar?
Em sociedade, o fenômeno ocorre de maneira similar. Não há consenso e nem possibilidade de comunicação sobre temas relevantes, prevalece o saber constituído de experiências singulares e particularmente desconhecidas a quem expressa.
Via de regra, vemos os efeitos sem saber os porquês, embora nos espantemos diariamente sem encontrar uma razão racional para o que se vê.
Acontece que, por toda parte, lá está o inconsciente freudiano se afirmando, soberano, deixando suas marcas por onde atua, sem jamais deixar de se expressar.
Nessa vida é preciso, sempre e cada dia mais, se cuidar.